Evoluir interiormente é difícil. Desde que cheguei de Israel, ando desconectada com o meu "eu interior". Deixei de cultivar os pensamentos positivos, de agradecer todas as manhãs por tudo de bom que me acontece e passei a vogar à deriva como sempre fiz.
Não senti necessidade de o fazer em terra judaica porque estava tão em paz comigo mesma, que a vida vinha até mim mansamente. Mas eis-me na terra onde nasci e como de costume, sinto a alma enjaulada e o corpo sem motivação. De vez em quando lembro-me de pôr em prática o que aprendi com o livro "O Segredo", mas abstraio-me facilmente e acabo por não chegar a lado nenhum.
E hoje, ao ler o blogue da actriz brasileira Lúcia Verissímo, percebi que está na altura de me voltar a equilibrar. Está na hora de ir buscar a luz para puder prosseguir o meu caminho, seja ele qual for.
Falta-me o encaixe. Aqueles feixes energéticos que nos indicam que estamos a caminhar no bom sentido, que nos fazem entender que tudo está bem e que a vida segue o seu curso. Foi nesta fase de luz e abertura que me aproximei do G. e ele de mim. E isto é apenas um exemplo de que os nossos pensamentos e as nossas vibrações, nos aproximam das metas e das pessoas.
Não sei se será correcto dizer que evoluir dói, mas eu realmente acho que dói. O crescimento pessoal traz consigo alguma dor, mas daquela suave e fácil de encarar. Essa dor mostra-nos como mudarmos de pele. Como alterar hábitos, gestos, palavras, olhares...somos energia, renovamo-nos a cada dia...
A Lúcia Verissímo colocou esta frase dita por Einstein no seu blogue:
"A vida não dá e nem empresta, não se comove e nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”.
Caramba! Depois de ler uma coisa destas, não há que como querer virar as costas a esta verdade contudente. A frase fez-me entender que tenho andado estagnada e que está na hora de fazer algumas alterações. Percebi também que tenho feito tudo errado e fiquei pasma comigo mesma por ter me esquecido de tanta coisa. Cheguei à conclusão que não sei nada. Que sou uma alma imberbe com sede de conhecimento. E que só puderei colher frutos depois de os semear. Mas tudo isto eu sabia e tudo isto esqueci.
Se quero amor, não posso estar fechada, de olhos fechados e atitude sempre defensiva. Tenho que deixar o amor entrar, escancarar o peito e acreditar. Acreditar sempre. E isto aplica-se a tantas outras coisas. A uma infinidade de possibilidades. Aliás, acho que a partir de agora, a minha palavra-chave será "possibilidade". A possibilidade de ir e vir. De amar e amar.
Consigo visualizar o tipo de mulher que pretendo ser daqui a 30 anos. Sei bem em que posição me quero colocar. Mas para isso, preciso fazer todo um trabalho mental de focalização e fé.
É a fé que me vai impedir de chorar e sofrer quando me sentir só e rejeitada. Terei de fazer da fé os meus alicerces, pois serão eles que me irão ajudar a suportar os embates da incredulidade, da desilusão, dos falhanços emocionais, dos desarranjos afectivos com que sou assolada ciclícamente.
Não. A maturidade não é fácil. A evolução é lenta mas primorosa. Desejo tornar-me um ser humano melhor. Não quero um espírito embrutecido, mal talhado pelo tempo.
Sinto-me vazia, não por estar sozinha ou longe do país que tanto amo. Sinto-me vazia porque perdi o meu eixo. E acredito que todos nós temos esse eixo. Uma espécie de bússola que nos direcciona. Mas para isso, precisamos estar atentos, conectados com a energia do universo.
Quero e preciso estar em sintonia com o universo e comigo mesma. Preciso voltar a sentir que tudo se encaixa. Que conduzo o meu espírito e o meu corpo para um riacho de águas livres e límpidas...