Wednesday, January 7, 2009

Barrigas de aluguer

Felizmente tenho a DStv em casa, o que me permite aceder a bons canais de informação estrangeiros, como a SIC Internacional e a SIC Notícias. Bom, isto para dizer que vi este fim de semana na SIC, uma reportagem interessantissíma sobre barrigas de aluguer. Parece que esta situação é mais comum do que imaginava. Não tenho nada contra este tipo de escolha. Muito pelo contrário, até porque sou liberal acima de tudo. Acho justo que uma mulher se "ofereça" para ser a incubadora do filho de outra mulher. Algumas agem deste modo por dinheiro, outras por genuíno altruísmo. Porquê gastar fortunas com a inseminação "in vitro", quando por menos se pode alugar um ventre saudável? Desde que se acatem as regras básicas de civismo e consciência, tudo bem por mim. Não acho que seja uma situação anti-natura (ao contrário da clonagem) e entendo que casais desesperados tomem esta decisão.
O problema surge quando pais e mães ansiosos por um filho, envolvem-se com redes clandestinas. Como o casal dinamarquês que foi ao Peru e pagou uma fortuna a uma jovem mulher para que esta concebesse. No Peru as barrigas de aluguer são ilegais, mas esta condição não impediu que a jovem em causa engravidasse. A partir do seu país de origem, enviava mails com imagens das ecografias e afirmava estar tudo bem. Até ao dia em que pelo mesmo método, avisou os futuros pais dinamarqueses que tinha perdido o bebé num acidente de viação. Quando o casal lhe pediu o comprovativo, ela enviou um papel qualquer que eles assumiram como certidão de óbito. Só meses mais tarde, é que descobriram que o papel não passava de uma receita médica. Entretanto, decidiram voltar a tentar. E mais uma vez pagaram a peso de ouro para a jovem engravidar. Como sempre, ela afirmava estar grávida e dizia que tudo corria bem. Até que a equipa de reportagem que esteve com o casal dinamarquês decide viajar para o Peru, atrás da mãe de aluguer. Lá descobrem que a jovem não estava grávida e que a tal certidão era um embuste. Conclusão: menos ingenuidade e mais atenção. O mundo está infestado de gente de má fé. Que se aproveita dos desejos e sofrimentos de outras pessoas.
Se me perguntarem se seria capaz de alugar o meu ventre, diria prontamente que não. Sou demasiado passional e talvez relutasse em entregar o bebé. Se seria capaz de pedir a uma mulher que tivesse um filho por mim? Não sei. Mas parece-me que não. Há por esse mundo afora, demasiadas crianças abandonadas. Porque não pegar numa delas e levar para casa?

Tuesday, January 6, 2009

A minha cartilha para este ano

If you can't wake up in the morning
Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it, try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
Something beautiful/Robbie Williams

Rotina

Eis-me de volta à rotina. Acordar antes das sete. Levar uma eternidade para me preparar. Engolir um copo de sumo, encostada à mesa, diante do olhar pasmo da minha mãe. Passar o baton cor de vinho pelos lábios sorridentes. Ouvir a irmã gritar do carro: "vamos embora!" e sair a correr, enquanto o calor me cola a roupa ao corpo.
Trabalhar. Ver mails. Fazer traduções. Pausa para almoçar. Um cigarro e um café para descontrair. E mais trabalho pela frente. Final do dia. O sol já não aquece tanto. O ipod a acompanhar-me de novo. Buzinas e corrupio por esta baixa da cidade. Livro debaixo do braço. Decido deixar-me ficar no café. Mais um cigarro e outro café. Casa. Jogging. Muita corrida para libertar toxinas invisíveis. Frustrações acumuladas.
Sabe-me bem esta vida. Esta rotina...

Primeira epifania de 2009

Tive um sonho mau/bom numa destas noites de calor. Foi um sonho revelador. Um enterro, digamos assim ou se preferirem, o fim de um capítulo.

Ela tinha uma carrinha branca e conduzia pelas ruas de uma qualquer cidade. Eu ia sentada ao seu lado e conversavamos animadamente. A meio do trajecto ela encosta na berma e pede-me para conduzir a carrinha. Mudamos de posições. Assim que arranco, carrego a fundo e vou disparada rumo a lado nenhum. Temos um acidente feio. Grotesco. Eu saio ilesa e atordoada. Ela está aberta em dois. Morta no passeio, de olhos abertos.

Resoluções

Para este ano, tenho apenas esta resolução:
- deixar que o amor me encontre...

2009

Este ano não fui a nenhuma festa. Fiquei-me pela guest house da Schlumberger a beber cerveja e a conversar com quem lá estava. Graças a isso pude ver os fogos de artíficio na Marginal de Luanda. Duraram quarenta e cinco minutos este ano. Foi o tempo que tive para agradecer ao universo por ter chegado viva e com saúde a 2009. Nunca gostei de anos ímpares, mas sei que este ano adivinha-se doloroso, mágico e cheio de amor!