Friday, August 1, 2008

Diálogo de tirar o folêgo

Vivo em Angola e estou prestes a fazer 32 anos. Sou independente financeiramente, embora não possa sair de casa dos meus pais porque as casas são carissímas. Tenho um trabalho que adoro. Não tenho muitas amigas, mas estou prestes a comprar um carro em folha. Aparentemente a minha vida é porreira, certo? Sou saudável, inteligente, não passo fome e passo sempre as minhas férias fora do país, portanto, é uma boa vida esta que ando a levar, certo? Errado! Porquê? Eis o episódio:

Vou ao meu cabeleireiro habitual e sento-me na cadeira. Evito falar sobre mim porque detesto que falem da minha vida nas minhas costas. Sorrio e sou simpática como sempre. De repente a rapariga que me atende pergunta:
-Estás a ficar bonita para o marido, não é?
Dou o meu melhor sorriso amarelo e respondo segura de mim:
- Marido? E eu lá sou casada?!
Ela volta à carga com ar espantado:
-Xéé! Então é para o namorado.
- Não tenho namorado...
- Não tens namorado como? Quantos anos tens?
Por esta altura, a raiva já começava a consumir-me o fígado. Contei até dez e disse:
- Tenho 31, porquê? Com essa idade sou obrigada a ter homem, é?
- Não quis ofender, só achei estranho. Mulher angolana dessa idade sem marido...
Por esta altura, já estava em posição de ataque. Pronta para saltar ao pescoço da gaja. Mas depois lembrei-me que estava em Angola. As coisas aqui são mesmo assim. Eu sou uma alienígena. Um ser estranho e infeliz. E mal ela sabe que nem filhos tenho. Aposto que é mais fácil ser-se solteira em NY...

2 comments:

Fevereiro said...

Em Nova Iorque será mais fácil e até será a regra.
Angola deve ser muito parecido com Portugal...
Beijo.

jotabloguer said...

Clara: Fizeste-me sorrir com este "post"!Verdade! Não é que eu frequente os cabeleireiros femininos, mas deve ser cok0o nos dos Homens! Tb. se faz muita conversa de circunstância!Mas não dês muita importância...Isto de encontrar a pessoa certa não tem data! Vem de repente, sem esperarmos!Temos de viver com as ideias em que acreditamos, o resto virá!
Um bom domingo!
Jorge madureira