Wednesday, January 28, 2009

Também eu tenho o meu lado fútil. E odeio passar uma noite inteira à mesa, a falar unicamente sobre assuntos sérios. Política, economia, sociedade, filosofia e coisas do género. Claro, de vez em quando gosto de falar sobre esses assuntos, acho importante estarmos a par da opinião dos outros e sobre o que nos rodeia. Mas confesso que muitas vezes, também gosto de conversar sobre relacionamentos, comida, viagens ou sobre nada de nada. Apenas a dizer parvoíces do estilo: "olha olha, o vestido da fulana". Ou " só me apetece miar".
Esta vida é dura demais e já chegam as oito horas no trabalho em que se fala sempre à séria. Portanto, uma boa futilidade de vez em quando faz bem e recomenda-se!

Volto para casa ou fico mesmo por aqui?
Hoje sonhei que me tinhas ido buscar a casa. Levavas-me pela mão enquanto perguntava para onde me levavas. Dizias-me apenas para confiar em ti e conduzias-me por caminhos escuros e rodeados de árvores. Não se ouviam os nossos passos. Eras só tu e eu, pisando as folhas secas, vestidas com os nossos pijamas. Então parámos numa clareira, onde o brilho da lua reflectia inúmeras sombras. Senti um abraço e era a Marta. Sorria para mim com aquele ar traquina do costume.
Olhei para o lado e lá estava a Lwena. De braços abertos e olhos molhados. Abraçou-me com força e disse: "ainda bem que voltaste".
Depois senti um afago forte no cabelo. Era o Frederico de viola no braço. Vinha com a Sílvia e o David. Cantavam os três. Acho que era o hino da amizade.
Andei um pouco em direcção à luz e avistei a Yuko, de olhar sereno e longos cabelos. Abracei-a como se o sonho pudesse terminar ali mesmo. "Sinto imensas saudades tuas", disse-lhe eu.
Então vi o Marco aproximar-se. Com aquele andar determinado e sorriso introvertido. Beijou-me as faces e à medida que mostrava os dentes brancos gritava: "é desta que ficas connosco, não é?".
Estava prestes a responder-lhe quando acordei sobressaltada pelo calor. Vieram-me as lágrimas aos olhos, mas estava com o coração alegre. E este sonho tem-me alimentado ao longo deste dia. E sinto como se estivesse estado de verdade com eles...

Tuesday, January 20, 2009


Hoje é a tomada de posse do meu/nosso herói, Barack Obama. E como diz uma amiga minha: "a black president has been born"!!!

Monday, January 19, 2009

Sonhos impossíveis

Eis o meu sonho impossível: ter a oportunidade de entrar numa máquina do tempo (sem quaisquer problemas em ser cobaia) e aterrar em Roma nos seus tempos áureos. Aproveitava depois para conhecer a França medieval, mesmo com os seus cheiros insuportáveis de podridão e morte. E para terminar, daria um pulo à Inglaterra de Oscar Wilde. Mas se pudesse, evitava conhecer este autor, embora adore a sua literatura. O homem era insuportávelmente intolerante e mau com as mulheres. Suponho que gostava de ter nascido uma...

Domingo= filmes

Não sei se isto interessa ou não aos estimados leitores deste Voo Nocturno (em homenagem ao Jorge Palma), mas ontem vi o "Gladiador": filme de Ridley Scott com interpretação, entre tantas, de Russel Crowe. Não gosto nada deste actor, mas o mano esteve bem como Maximus. E o filme é de facto porreiro.
Ontem foi de facto, um dia bom para ver filmes. De tal maneira que ainda vi "Transformers" com o Shia La Beouf e a Megan Fox. Surpreendentemente gostei imenso do filme. E acho que isso aconteceu por causa do dedo do Spielberg...

Triste verdade

"Não sei do é que eu fujo
Será desta solidão?
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão?"
António Variações

Revolução interior

Revolução interior. É isso que me preparo para fazer. Existem coisas em mim que precisam ser alteradas. Erradicadas para sempre. Estão comigo desde que nasci e por isso nunca soube livrar-me delas. Mas está na altura de o fazer, porque esses obstáculos têm-me conduzido para os braços da solidão.
Não sei por onde começar. Não sei como fazer. Sinto-me como se estivesse no início do jogo. De um jogo onde me encontro às cegas. Sem instrumentos de orientação ou passos a seguir...
“O género de liberdade mais importante, é seres verdadeiro.
Trocas a tua realidade por um personagem.
Trocas os teus sentidos por uma actuação.
Desistes da capacidade de sentir e em troca pões uma máscara.
Não pode haver uma revolução em grande escala, se antes não houver a revolução individual da pessoa.
Primeiro tem que acontecer cá dentro.”

Jim Morrison

Thursday, January 15, 2009

Meme

Só mesmo a Sílvia (http://reflexosilvia.blogs.sapo.pt/) para me propor novo jogo. E claro, ela é tão querida e eu como por acaso estou cheia de paciência, aceitei o meme (porque será que se chama assim?).
Eis as regras e não prometo que as cumpra:
- linkar a pessoa que te indicou
- escrever as regras do meme no blog
- contar 6 coisas aleatórias sobre eu mesma
- indicar mais 6 pessoas e colocar os links no final do post

Então aqui vai:
1- sou de vaipes. Mudo de humor numa fracção de segundos
2 -gosto de comer omoletes e ovos estrelados com bastante sal
3 -adoro martini bianco com limão e azeitona. De preferência, sentada numa esplanada
4- não gosto nada de acordar cedo
5- sou capaz de ficar oito horas seguidas em frente à televisão
6- detesto que me interrompam quando estou a ler
Passo o meme aos seguintes (e acatem se quiserem):
- L.S. Alves
- Emerson de Souza
- Cátia Cóias
- Jotablogguer
- Malato (para o caso de ele ter blog e visitar o meu à socapa lol)

António Variações

Nem tenho palavras para descrever esta belissíma foto (tirada pela cantora Lena d´Água) deste cantor que admiro. E gosto dele não só pelas músicas e voz, como pela personalidade. Bem sei que nunca o conheci, mas quem teve esse privilégio diz que Variações era um ser especial. Um homem educado, simples e determinado. Que chocava a mentalidade portuguesa daquela época (anos 70/80) com as suas roupas peculiares.
Nasceu muito à frente do seu tempo. E morreu cedo, deixando apenas dois albuns. É o que acontece com os seres especiais. Que apenas vêm a este mundo para nos trazer novas formas de encarar a vida...

Wednesday, January 14, 2009

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Estou além/ António Variações
Quanto mais leio a biografia: António Variações - entre Braga e Nova Iorque, mais pena sinto por nunca o ter conhecido.

Monday, January 12, 2009

A arte (para a Cóias)

Viver da arte tem muito que se lhe diga. E viver da arte em Portugal é pelos vistos uma tarefa hérculea. Passa-se a vida a bater de porta em porta com o portfolio na mão. A concorrer a concursos mil para ver se alguém descobre o talento que toda a gente vê, mas ninguém ampara.
E em tempos de crise como os que se vivem em Portugal, o artista tem de lutar a dobrar para descobrir o seu cantinho ao sol. Porque não pode viver da arte. Tem de relegar a sua arte para segundo plano porque a vida está realmente difícil e as portas fecham-se em catadupa.
Mas há aqueles que por um pedaço de reconhecimento nacional, abrem as pernas e o traseiro e vendem a pouca alma que lhes resta. Há os que se mantêm firmes na sua dignidade e preferem esmurrar as portas, até que se abram.
São muitos os membros das artes que passaram maus-bocados para sobreviverem do seu talento. Alguns morreram na penúria como Van Gogh, sem saber que décadas depois, os seus quadros valeriam fortunas. É a vida a troçar do sonho. Ou quem sabe, o sonho a esconder-se da vida.
"Como todos imaginam a arte é muito bonita mas não me paga as despesas nem alimenta as minhas muitas bocas (a não ser que me chame Paula Rego, Daniel Blaufuks ou Julião Sarmento, ou se tiver o bendito pai monocromático dos auto retratos aborrecidos de morte,ai que maldade a minha…) Étudo tãobonito: fotografia, dança, performance, desenhos, workshops, apresentações mas, quando vou ao supermercado fazer as compras do mês não é arte que troco por bens alimentares. Quando chega ao fim do mês e o dia dos pagamentos chega em forma de carta registada, não são fotografias que eu devolvo em resposta. Quando o frio aperta não são as fotografias que me aquecem. Já dei aulas, já passei fome, dormi na rua, já vendi colchões, bilhetes para a feira popular, já fui recepcionista, já trabalhei no circo,já servi em bares,dobrei roupa,vendi pizzas, fiz inquéritos de satisfação,vendi perfumes, artigos de decoração e livros. Já fui administrativa e também já fiz montras. Já fui desempregada e fui fotógrafa e jornalista.

Ps.também já fiz voluntariado,onde zelei pela defesa da floresta em época de incêndios e dei apoio a crianças orfãs numa instituição da qual não me recordo do nome.

Ps2.Por acaso agora me lembrei que nunca fui nem segurança,nem prostituta, nem doméstica.

Isto para dizer o quê?Que, quem me quiser oferecer trabalho que não hesite. Qualquer coisa será melhor do que ser tratada como uma anormal numa caixa de supermercado. Também sei fazer o pino e a esparregatae faço vinte piscinas olímpicas em meia hora. E apesar dos 30 anos,o que significa ter ultrapassado o prazo de validade(é o que o povo diz por aí:”só até aos 25 anos”),garanto encontrar-me bem conservada (como uma sardinha enlatada e enrolada numa magnifica tomatada picante nacional), ainda consigo articular tanto palavras e raciocínio como membros."


Cátia Cóias

Dizem que sou forte. Forte como uma árvore. Também dizem que sou feita de ferro. Daquele que não se molda.
“Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.”
Clarice Lispector ( a grande)

Inside the tree


Foto de uma excelente fotógrafa que por acaso é uma das amigas mais queridas que tenho nesta vida. E é ela dentro da árvore...

Friday, January 9, 2009

Ando a arranjar coragem para voltar para casa (Lisboa)...

Emancipação

Ao fim e ao cabo, os homens estão-se nas tintas para as nossas celulites, estrias, rugas e peitos caídos, não é? E nós mulheres sabemos disso. Mas por um qualquer motivo obscuro, acreditamos que tudo o que fazemos é para eles. Mas é mentira, senhores. É mentira.
Nós mulheres vestimo-nos e queremos estar bem umas para as outras. Claro que queremos encantar os nossos homens, mas acima de tudo, queremos encantar outras mulheres. Toda a gente sabe como somos críticas, duras, cínicas e desdenhosas quando vemos uma mulher impecavelmente arranjada. Procuramos logo um defeito, uma ruga que seja ou um cabelo desalinhado. Miramos de cima a baixo o corpo de outras mulheres, em busca de estrias e flacidez.
Experimentem falar com um homem sobre a vossa celulite ou necessidade de dieta e verão o ar impaciente com que ele arregala os olhos. É por isso que também eu estou-me nas tintas. Sou redondinha e bem redondinha. Tenho barriguinha e peitos fartos. Já fui magra como um palito e gostava de o voltar a ser, mas sabem que mais? Estou a aprender a estar bem na minha pele. A olhar-me ao espelho e a ver as minhas curvas com ar apaixonado.
Por isso que se lixem os padrões da moda. As Cosmopolitans e as lojas com roupa para mulheres magras. E à fava os corpos rectos e as dietas estrambólicas.
E quem gostar de mim, gostará assim como sou. Redondinha e um amor de pessoa. Jeez. Isto só pode ser da idade!

Amar o meu corpo pelo que é...

Nogueira/Malato

Gosto à brava do Bruno Nogueira. Quando o vi pela primeira vez a fazer "stand-up comedy" achei-o um xuxuzinho de primeira. Magro como um caniço, mas ainda assim um xuxuzinho. Depois deixei de o achar tão giro e passei a achá-lo engraçado. E nada como estar em frente ao televisor, a ver um xuxuzinho com piada.
Obs: para minha alegria, o Bruno tem um blog - http://corpodormente.blogspot.com/
Bem, já agora também posso assumir que tenho um fraquinho pelo Malato. Não me perguntem porquê. Sei lá se é a voz, o bom-humor,o olhar ou os quilos a mais. Só sei que gosto. E todas as noites lá estou eu a assistir ao Jogo Duplo na RTP.
Obs: para minha tristeza, desconheço se o Malato tem blog.

Wednesday, January 7, 2009

Barrigas de aluguer

Felizmente tenho a DStv em casa, o que me permite aceder a bons canais de informação estrangeiros, como a SIC Internacional e a SIC Notícias. Bom, isto para dizer que vi este fim de semana na SIC, uma reportagem interessantissíma sobre barrigas de aluguer. Parece que esta situação é mais comum do que imaginava. Não tenho nada contra este tipo de escolha. Muito pelo contrário, até porque sou liberal acima de tudo. Acho justo que uma mulher se "ofereça" para ser a incubadora do filho de outra mulher. Algumas agem deste modo por dinheiro, outras por genuíno altruísmo. Porquê gastar fortunas com a inseminação "in vitro", quando por menos se pode alugar um ventre saudável? Desde que se acatem as regras básicas de civismo e consciência, tudo bem por mim. Não acho que seja uma situação anti-natura (ao contrário da clonagem) e entendo que casais desesperados tomem esta decisão.
O problema surge quando pais e mães ansiosos por um filho, envolvem-se com redes clandestinas. Como o casal dinamarquês que foi ao Peru e pagou uma fortuna a uma jovem mulher para que esta concebesse. No Peru as barrigas de aluguer são ilegais, mas esta condição não impediu que a jovem em causa engravidasse. A partir do seu país de origem, enviava mails com imagens das ecografias e afirmava estar tudo bem. Até ao dia em que pelo mesmo método, avisou os futuros pais dinamarqueses que tinha perdido o bebé num acidente de viação. Quando o casal lhe pediu o comprovativo, ela enviou um papel qualquer que eles assumiram como certidão de óbito. Só meses mais tarde, é que descobriram que o papel não passava de uma receita médica. Entretanto, decidiram voltar a tentar. E mais uma vez pagaram a peso de ouro para a jovem engravidar. Como sempre, ela afirmava estar grávida e dizia que tudo corria bem. Até que a equipa de reportagem que esteve com o casal dinamarquês decide viajar para o Peru, atrás da mãe de aluguer. Lá descobrem que a jovem não estava grávida e que a tal certidão era um embuste. Conclusão: menos ingenuidade e mais atenção. O mundo está infestado de gente de má fé. Que se aproveita dos desejos e sofrimentos de outras pessoas.
Se me perguntarem se seria capaz de alugar o meu ventre, diria prontamente que não. Sou demasiado passional e talvez relutasse em entregar o bebé. Se seria capaz de pedir a uma mulher que tivesse um filho por mim? Não sei. Mas parece-me que não. Há por esse mundo afora, demasiadas crianças abandonadas. Porque não pegar numa delas e levar para casa?

Tuesday, January 6, 2009

A minha cartilha para este ano

If you can't wake up in the morning
Cause your bed lies vacant at night
If you're lost, hurt, tired or lonely
Can't control it, try as you might
May you find that love that won't leave you
May you find it by the end of the day
You won't be lost, hurt, tired and lonely
Something beautiful will come your way
Something beautiful/Robbie Williams

Rotina

Eis-me de volta à rotina. Acordar antes das sete. Levar uma eternidade para me preparar. Engolir um copo de sumo, encostada à mesa, diante do olhar pasmo da minha mãe. Passar o baton cor de vinho pelos lábios sorridentes. Ouvir a irmã gritar do carro: "vamos embora!" e sair a correr, enquanto o calor me cola a roupa ao corpo.
Trabalhar. Ver mails. Fazer traduções. Pausa para almoçar. Um cigarro e um café para descontrair. E mais trabalho pela frente. Final do dia. O sol já não aquece tanto. O ipod a acompanhar-me de novo. Buzinas e corrupio por esta baixa da cidade. Livro debaixo do braço. Decido deixar-me ficar no café. Mais um cigarro e outro café. Casa. Jogging. Muita corrida para libertar toxinas invisíveis. Frustrações acumuladas.
Sabe-me bem esta vida. Esta rotina...

Primeira epifania de 2009

Tive um sonho mau/bom numa destas noites de calor. Foi um sonho revelador. Um enterro, digamos assim ou se preferirem, o fim de um capítulo.

Ela tinha uma carrinha branca e conduzia pelas ruas de uma qualquer cidade. Eu ia sentada ao seu lado e conversavamos animadamente. A meio do trajecto ela encosta na berma e pede-me para conduzir a carrinha. Mudamos de posições. Assim que arranco, carrego a fundo e vou disparada rumo a lado nenhum. Temos um acidente feio. Grotesco. Eu saio ilesa e atordoada. Ela está aberta em dois. Morta no passeio, de olhos abertos.

Resoluções

Para este ano, tenho apenas esta resolução:
- deixar que o amor me encontre...

2009

Este ano não fui a nenhuma festa. Fiquei-me pela guest house da Schlumberger a beber cerveja e a conversar com quem lá estava. Graças a isso pude ver os fogos de artíficio na Marginal de Luanda. Duraram quarenta e cinco minutos este ano. Foi o tempo que tive para agradecer ao universo por ter chegado viva e com saúde a 2009. Nunca gostei de anos ímpares, mas sei que este ano adivinha-se doloroso, mágico e cheio de amor!