Tuesday, December 15, 2009

Apenas um caminho

Dizem que o poder da mente é espantoso. Que as vibrações positivas são espantosas. Verdade e verdade. Passar uma vida, ou parte de uma vida sem objectivos é o mesmo que navegar sem bússola. Deixar que seja o instinto a guiar-nos é confortável, mas talvez insuficiente.
Depois de 33 anos a acreditar no lema "deixa a vida me levar, vida leva eu", resolvi mudar o pensamento habitual e decidi traçar objectivos. Sei que podemos pedir triliões de coisas ao universo, mas para 2010 quero apenas meia dúzia de coisas. Quero rebentar de novas e excitantes emoções e quero coisas palpáveis, materiais. Quero uma nova vida, em que sou o eixo, um íman que atrai novas possibilidades. A palavra insegurança não terá mais efeito em mim. E o meu mote será determinação, força e esperança. Esperança, sempre.
A auto-motivação é fácil. Ás vezes parece que a vida nos passa em cima como um tractor. E com as rodas pesadas e grandes esmaga os nossos sonhos, a nossa esperança, a nossa motivação. Não há como resistir, como não ficar em baixo. É difícil evitar o sentimento de alma esmagada que nos invade mas a nossa força reside aí mesmo. Na capacidade de nos reinventarmos, de ganharmos asas e começarmos tudo de novo. É essa a beleza de estarmos vivos. É esta capacidade de sonhar, de tentar e voltar a tentar, de sentir, compreender e actuar que nos enche o espírito de combustível para prosseguirmos.
E depois existem os outros. Aqueles que nos ajudam a caminhar. Que nos dão a mão nos momentos sombrios. Que nos abraçam quando os trovões se tornam assustadores e a cabeça parece que vai rebentar. E existem ainda os outros. Os que nos retiram a motivação. Que nos assombram o espírito e tentam a todo o custo cortar-nos as asas. Mas se soubermos e sentirmos que estamos no caminho certo, se dermos conta que os nossos passos estão firmes, então saberemos que bastamo-nos a nós próprios.
Atravessar a vida com esta segurança, é uma coisa à parte. É sentir a vida a percorrer-nos pelas veias. Somos torres de auto-motivação. Somos uma obra energética e estamos sintonizados, sem dúvida, com energias superiores. Estamos conectados a nós próprios e somos capazes de tanta coisa, que ao tomarmos consciência disto mesmo, apercebemo-nos da grandiosidade da vida e das infinitas possibilidades que caminham até nós.
É a nossa consciência que nos move.

O poder da mente

"Viver sem metas claras é como dirigir numa neblina densa.Tomar decisões a respeito das suas metas é algo que dissipa imediatamente a neblina, permitindo que você focalize e canalize as suas energias e a sua capacidade. Você dispõe da mesma capacidade de realização de metas que o pombo-correio, só que com um maravilhoso acréscimo. Quando tem absoluta clareza a respeito da sua meta, nem precisa saber onde ela fica ou como alcançá-la. Pelo simples facto de decidir exactamente o que quer, você começará a mover-se infalivelmente em direcção à sua meta, e ela começará a mover-se infalivelmente na sua direcção. Ambos haverão de encontrar-se no momento certo e no lugar exacto."
in Metas, de Brian Tracy

Monday, November 30, 2009

Licença sabática

Gente boa que lê o meu blog, isto por aqui vai andar parado durante algum tempo. Inspiração: zero. Vontade: zero. É o que dá ir a Portugal de férias, caramba. Não sei quando volto, mas esperemos que em breve.
Hasta.

Wednesday, November 18, 2009

No divã

Sim, tenho o coração a planar, digo eu ao meu terapeuta mental. Mas antes de ficar neste estado, andei pelo deserto, felizmente com um oásis ao meu dispor, e questionei-me sobre muitas coisas. Ah, quer saber que coisas? Bem, se valia a pena andar a sonhar quando na realidade a distância não permite grandes voos e se não me estava a iludir como de costume. Antes que me pergunte eu digo-lhe desde já que sim, que cheguei a algumas conclusões. Naturalmente não sei se serão válidas, mas como o senhor terapeuta bem sabe, eu não sou mestre em questões emocionais. O quê? Melhorei muito? Bom, então diga-me lá porque me sinto ainda um desastre nestas tretas emocionais. Quer que volte às conclusões? Sim, concluí que o melhor será manter os pés no chão e embora me seja absolutamente difícil, vou tentar fazê-lo. Percebi que devo deixar uma parte do meu coração aberta para a pessoa por quem espero e o resto vai ficar escancarado. Pois claro, escancarado! Sou muito nova e não posso estar presa a um sonho, a uma ideia se assim o prefere. Se me custou chegar a estas conclusões? Pois claro, que sim. O senhor terapeuta conhece-me e sabe como sou. Ponho-me a voar até Saturno ou Marte e depois a realidade chama-me à terra e bem, a aterragem não costuma ser pêra doce. Culpei-me claro. Quem me manda a mim ser tão sonhadora e tão esperançosa em relação a um sentimento que eu obviamente não mereço. Olhe, se quer que lhe diga, acho que não sei lidar com essas coisas do coração. Mas é para isso que venho ter consigo todas as quartas-feiras, não é? Mas os instrumentos que me tem dado não têm servido de muito. Pois, acho que sou um caso perdido. Mas olhe, ao mesmo tempo acho que cresci um bocado durante os dias em que caminhei pelo deserto. Ah sim. Quando voltei para o conforto das nossas conversas electrónicas, ele mostrou-se mais aberto e sinto que demos um grande passo no nosso relacionamento. Oh, não me peça para definir a nossa relação. Ele chama-lhe amizade e então eu faço o mesmo. De qualquer forma, estou a perceber que tentar definir as coisas é perda de tempo. Digamos que as coisas são apenas o que são. Mas como dizia, depois de tê-lo posto a falar sozinho algumas vezes e sob pena de nunca mais voltar a dirigir-lhe a palavra, ele demonstrou mais confiança em mim e abriu-se como nunca o tinha feito. Disse-me inclusive que tinha chorado nesse dia. Oh não. Não por mim.
Sim sim, penso que ele abriu-se dessa maneira porque achava que me tinha perdido. Ou que tinha perdido a minha amizade para sempre, sei lá. E eu estava disposta a isso, mas o senhor terapeuta há de concordar que para sempre é muito tempo e assim que me passou a raiva, zás! Voltei para ele (metafóricamente falando) e apesar da discussão inicial, lá nos entendemos e ouvi coisas dele que me fazem crer que estamos em sintonia e caramba, se calhar ele sente o mesmo que eu. Talvez esteja outra vez em modo delirante mas é o que me diz parte do coração. Não se preocupe, não sofro mais de desassossego. Aqui dentro está tudo bem. Ele transmite-me tranquilidade e segurança e o meu instinto diz-me para confiar cegamente nas palavras que me diz. Com ele tudo é mais fácil. Com os outros tipos que passaram por mim, era sempre uma luta horrorosa. Muitas dúvidas, muitos medos, muita insegurança. Com ele não.
Ah, o meu tempo de antena consigo já terminou? O quê? Fiquei dez minutos a mais? Não me vai cobrar pois não? Estas minhas aventuras, ou desventuras sei lá eu, deixam-no bem disposto que eu sei. Sim, volto para a semana com novos episódios. Se os houver claro.

A planar


Tenho o coração a planar e pergunto-me, será bom? Sabe bem, mas, será?

Tuesday, November 17, 2009

Pois é, passei um mês fantástico nesse país com tantos defeitos mas que tanto amo, chamado Portugal. Abracei os amigos. Amei-os. Bebi com os amigos. Ouvi-os. Ri com os amigos. Desabafei.
Passeei pelo boa e velha zona do Chiado. Senti o cheiro a tradição que paira naquele local. Fui estrangeira no meu país e revisitei-o como se fosse a primeira vez. Observei o Tejo. Sempre calmo e silencioso. Tema de versos líquidos recitados entre noites de amores dóceis e paixões infernais.
Calcorreei ruas calcetadas e vi estrelas cintilantes nesse céu que me causa desassossego por estar tão longe. Entrei em autocarros apinhados de gente velha e ar solitário e mirei com estes olhos marejados, as ruas onde cresci. Onde o espírito e o corpo lutaram um dia para se tornarem num só. Abracei árvores mais finas que os embondeiros dos meus sonhos e reconheci-lhes o cheiro com que adormeço todas as noites.
Vadiei pelo Bairro Alto. Lugar típico dessa minha cidade de Lisboa, de caravelas e corvos negros como a noite. A minha noite. Ou as minhas noites repletas de tesão e bebida. Voltei aos restaurantes de sempre, composto pelas gentes do costume. E percebi que as coisas, que o coração das pessoas que amo, permanece o mesmo. Foi bom saber. É bom saber.
Porque quando regresso ao país onde me fiz criança, adolescente e mulher, vou em busca de mim mesma. Encontro-me sempre. E desse encontro renascem velhas certezas e novas revelações que teimo esquecer...

Antevisão

Sim, fui de férias para Portugal. Não, não queria voltar para Angola..

Tuesday, September 29, 2009

Prazeres narcisísticos

Que horas são: 17h10
Nome: Clara
Tatuagens: nehuma mas quero uma do Princípezinho
Piercings: nenhum
Já foste a África: infelizmente é onde moro
Já choraste por alguém: claro que sim. E às vezes por idiotas que nem mereciam. Mas vivendo e aprendendo.
Já estiveste envolvida em algum acidente de carro: felizmente nunca
Peixe ou carne: ambos
Música preferida: All i need (Radiohead)
Cerveja ou champanhe: champanhe é caro, então cerveja sempre! Mas um martini cai sempre bem!
Metade cheio ou metade vazio: metade cheio, sempre
Lençóis lisos ou estampados: estampados com flores de preferência
Filme preferido: The mirror has two faces
Flores: adoro, mas não compro nem colho, acho uma maldade para com as flores
Coca-simples ou com gelo: não gosto dessa bebida. Dêem-me antes um Sumol de laranja
Qual dos teus amigos vive mais longe: são tantos, mas neste caso diria, Isabella que mora no Brasil
Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes de atender: depende de quem me liga
Que imagem tens no teu mouse-pad: nenhuma
Mulher bonita: Michelle Pfeiffer
Homem bonito: o meu passarinho azul e o Reynaldo Gianechinni
Pior sentimento do mundo: egoísmo
Melhor sentimento do mundo: amor
O que uma pessoa não pode ter para ficar com você: mau hálito
Primeiro pensamento ao acordar: porra, já está na hora?
Ultimo pensamento antes de dormir: voltar a morar em Portugal
Se pudesse ser outra pessoa: Janis Joplin
O que nunca tiras: os brincos
O que tens debaixo da cama: malas de viagem que representam a minha liberdade de ir e vir
Uma frase: quem me dera que estivesses aqui
Que dia é hoje: terça-feira..faltam exactamente 5 dias para ir de férias
Que livro estás a ler: A sombra e o vento
Uma saudade: da magia que senti quando estava com o meu passarinho azul

Sinalizações

Abro uma revista e salta-me logo à vista o título: "viaje até Paris por xxx euros". Concentro-me na imagem da Torre Eiffel e penso que maravilha seria dar lá um pulo. Vejo-me a passear pelo Palácio de Versailles com todo aquele brilho e a sentir-me parte do mundo. Entretanto olho para o relógio e percebo que está na hora da minha novela preferida. Aparecem-me cenas da Taís Araújo e do José Mayer a passarem a lua-de-mel em Paris. Começo a pensar em voz alta e solto um "que merda é esta?", enquanto arregalo os olhos de inveja por ver que eles estão dentro de um bar chamado Baton Rouge e de aspecto super cool, aos beijos e aos apalpões.
No dia a seguir abro a internet e decido vadiar por blogues alheios. Caio no blogue de uma tipa que mora em Paris e o primeiro post que leio inclui fotografias da cidade capital. A inveja do dia anterior volta a atingir-me como um soco no estômago. Acedo a outros sites e vejo que a Regina Duarte também está em Paris e que o Aguinaldo Silva segundo o próprio, se encontra a flanar pela cidade luz.
Desligo o computador e faço contas às coincidências. Ou Paris está na berra mais do que nunca, ou estou numa estrada de terra batida com sinalizações a indicarem-me para enfiar-me num avião e rumar para o país da Maria Antonieta.
A que se deve isto tudo? É que o meu passarinho azul é francês...

Beleza


Monday, September 28, 2009

Há dias que eu, enquanto mulher fico doida!! As hormonas amotinam-se, o cabelo não obedece, o corpo incha, as lágrimas escorrem sem me dar conta, a vontade de beber cerveja aumenta, a sensação de ficar solteira para sempre consome-me e a vontade de mandar toda a gente para o c* mais velho assalta-me loucamente!
E quando me livro do turbilhão o cansaço é tanto que anseio por carícias, baldes de gelado Haagen Dasz, música romântica e uma cama com cheiro a lavado.

Monday, September 21, 2009

Ser gorda ou não ser

O mundo é cruel com as mulheres acima do peso. As revistas da moda e que se querem educativas, deitam abaixo mensalmente a auto-estima daquelas mulheres que por um motivo ou por outro engordaram. Oferecem-nos fotografias rídiculas de mulheres estupidamente magras, sacos de ossos, mas totalmente endeusadas por não terem um grama de gordura fora do sítio.
Não estou aqui com este discurso porque me encontro acima do peso. Até aos meus 25 anos, era absolutamente magra, mas algo no meu metabolismo mudou e a tendência é manter-me gordinha.
Há dias em que me apetece atirar-me aos crocodilos, especialmente quando vou à loja e não encontro o meu número ou então, quando me olho ao espelho. Ou quando a família fode-me o juízo (perdoem-me o uso do palavrão, mas a expressão é mesmo esta) e só se alegra quando viro as costas para evitar o massacre total. Nestas alturas odeio a minha família e só me apetece mandá-los a todos para o caralho mais velho!
Portanto o que me acontece, é que quando estou em Angola, tenho imensas vezes crises de consciência devido ao meu peso e decido passar dias a pão e água. Mas quando estou em Portugal (longe da família), esqueço-me totalmente dos quilos a mais e torno-me mais leve que um pássaro de asas azuis - fisicamente e psicológicamente.
Já me dediquei mais à leitura de revistas como a Cosmo, Vogue, Elle e etc..hoje em dia já hesito em pagar um balúrdio por uma dessas revistas que ao invés de me tratar bem, manda mensagens subliminares a dizer que "os homens não gostam das gordas". Ou que "felizes são as magras e toca a fazer dieta".
Além disto, as peças de roupa que por lá se apresentam são sempre as consideradas normais e raramente vejo sugestões de compra para as mulheres mais gostosas, digamos assim.
Portanto, diante destes conceitos de beleza, só nos restam duas soluções: atrofiar e sofrer ou encarar as gorduras e ser feliz. Estou a optar pela última. Todos os corpos são lindos e o meu não há-de ser excepção. Posto isto, neste Verão, tentarei comprar um bom fato-de-banho para bronzear-me pelas praias angolanas e passear este corpinho que a natureza me deu.
É que sabem, ser gorda não é uma merda. A merda é ter os outros a acharem que isso é uma merda.

Friday, September 11, 2009

Eu digo-vos o que queria para este fim-de-semana. Praia. Esplanada. Amigos. Conversa animada. Carinho e bebidas.
Seria um fim-de-semana bestialmente feliz!

Porque adoro a flor da amendoeira


A querida Bela repassou o meme que se segue para quem quisesse fazê-lo. Eu vou fazer porque não tenho nada de novo para escrever aqui. É que sabem, o meu coração está entupido de esperança e a cabeça voa a mil hora com ideias alucinadas e vontades ilimitadas.
Cá vai:

Por que resolveu criar um blog?
Porque adoro escrever.

O que te dá mais prazer em blogar?
Tudo aquilo que me dá inspiração, mas creio que este blogue é movido a sentimentos.

Qual o assunto que você mais gosta de postar?
Temas que me toquem particularmente.

Por que escolheu esse nome para o blog?
Porque sou fã do cantor português Jorge Palma e adoro o CD dele chamado "Voo Nocturno".

Você costuma visitar outros blogs?
Com certeza.

Quem quiser seguir o meme (preciso encontrar outra palavra para isto) esteja à vontade!

Tuesday, September 1, 2009

Exercício: a Clara dos 32 anos tem de escrever uma carta, à Clara dos 15 anos.
"Querida Clara,
mais de quinze anos depois, escrevo-te esta carta. Tentei estar sempre em contacto contigo mas a dinâmica da vida nem sempre mo permitia. Espero que entendas e que em momento algum duvides dos laços que nos unem.
Estás a passar pela adolescência e imagino as sombras que te rodeiam. Sei bem que não tens vida fácil. Que o ambiente em tua casa é pesado, que és assolada por dúvidas existenciais e sei que muitas vezes pensaste em atirar-te desse terceiro andar.
Não o faças. Talvez não obtenhas o teu intento e o sofrimento venha a ser pior. E se te digo para não o fazeres é porque tens muito ainda para viver. Só tens 15 anos e embora sofras para além do que a tua idade permite, gostava que soubesses que tudo vai ficar bem.
Não nego que ainda irás sofrer mas peço que reúnas as forças guardadas em ti para combateres os tempos difíceis dos anos que se avizinham. Mas não te assustes. Terás as tuas alegrias, os teus momentos de felicidade e descoberta. Conhecerás pessoas que te acompanharão e guiarão os passos.
Terás encontros com gente menos evoluída e em algumas situações não saberás lidar com as suas acções, mas crescerás diante da adversidade e terás pujança suficiente para continuares a andar. E é bom que saibas que andarás muito.
Nem sempre saberás para onde vais e acredito que esse sentimento se manterá até à maturidade. Nos próximos dez anos, andarás conforme o vento. Viverás como puderes e estarás sozinha em muitas ocasiões. Isto fará de ti, aparentemente, uma mulher solitária e os outros acharão que o fazes por opção.
O desejo de descoberta e a curiosidade far-te-ão girar por vários corpos masculinos. Vais acreditar sempre que irás atracar o teu próprio corpo e alma num desses corpos. Infelizmente não acontecerá, embora vá aparecer um corpo em particular capaz de sossegar as tuas ânsias e receios. Ele será o amor da tua vida e é com pena que te digo que o vosso encontro será breve. Pensarás nele quase todos os dias...
Os desgostos de amor darão cabo do teu lado romântico e chegarás aos trinta desencantada e solteira. Perdoa-me tirar-te as ilusões assim a seco, mas esta será a tua futura vida. Quem sabe, não a puderás alterar após leres esta carta?
Seja como for, prepara-te para as noites solitárias e frias em que as lágrimas te cairão impiedosamente. Nessas fases, parecer-te-á que o coração mingua, como aquelas tochas incandescentes que lutam contra o vento para se manterem acesas.
Mas alegra-te Clara...no dia a seguir estarás como nova. Tu és e serás sempre assim: forte, resistente, inteligente e na maior parte das vezes, lúcida.
Colocar-te-ás em situações dolorosas e complicadas. Mas os amigos que fizeste ao longo dos anos tratarão de te amparar. E finalmente chegará o dia em que a vida te conduzirá para uma espécie de decisão final. Nessa altura saberás o que fazer, porque colocarás em marcha algo que aprenderás no começo dos teus vinte anos. Ficarás em sossego e escutarás o teu coração. E só depois de o ouvires é que te levantarás decidida a tomar as redéas da tua vida.
Não nego. Será duro. Mas é importante que saibas o seguinte: aguentarás o embate da adaptação. Terás uma boa situação profissional. Passarás os teus dias a escrever e a receberes por isso. Bem sei que não acreditas nessa hipótese, mas podes ter a certeza disso. O que te quero dizer, minha querida Clara dos 15 anos, é que vai tudo correr bem. Não receies a tua futura vida. Estás aqui para vivê-la e senti-la. E quando estiveres prestes a fazer 18 anos, saberás do que te falo hoje. Vais deixar as sombras para trás e passar a viver com fé.
Portanto, levanta a cabeça, olha-te ao espelho e sorri. Ganha consciência do que és e do que puderás vir a ser...uma grande mulher!
Sempre tua,
Clara"

Que se lixe

Devia usar mais vezes a expressão "que se lixe". Tenho a certeza que se a usasse, não teria tantos condicionamentos na porra da minha vida!
Adoro livros e por isso gostei imenso deste même que saquei do blogue do Luciano:
Livro de infância: não me lembro do nome mas era um livro de fábulas
Personagem que queria ser: o menino de bronze (Sophia de Mello Breyner)
Primeiro livro enorme que lembra de ter lido: Miguel Strogoff (Júlio Verne)
Filme que ficou melhor do que o livro: nenhum, mas Drácula de Bram Stoker andou lá perto
Livro que te fez sonhar acordada: A Casa dos Espíritos (Isabel Allende)
Livro que te fez chorar: Paula (Isabel Allende)
Livro que te fez rir: a trilogia Sexus Nexus Plexus (Henry Miller)
Livro que mudou a sua vida: A Profecia Celestina (James Redfield)
Livro que te causou dor: António Variações - de Braga a Nova York (ainda nem terminei de o ler porque já conheço o final, então estou a antecipar a dor)
Livro de cabeceira: O Livro Negro da Condição das Mulheres (Christine Ockrent)
Livro comercialzão: todos os do Paulo Coelho
Querido escritor: Gabriel García Marquéz
Sente vergonha por não ter lido: Guerra e Paz (Tolstoi)
Não suporta: os livros do Paulo Coelho
Para os apaixonados: As Mulheres do Rei (Dinah Lampitt)
Livro sensual: Trópico de Capricónio (Henry Miller)
Para quando quiser ficar feliz: a colecção inteira de Astérix, o gaulês
Para quando faltar esperança: O diário de Bridget Jones (Helen Fielding)
Livro que ganhou e nunca leu e nem vai ler: ainda não me aconteceu
Livro para quando for preciso paciência: quando preciso de paciência conto até dez
Livro que comprou e não gostou: A insustentável leveza do ser (Milan Kundera)
Biografia: Martin Luther King
Para garotas: O diário secreto de Adrian Mole (Sue Townsend)
Livro difícil: O Processo (Franz Kafka)
Para quem gosta de escrever: todos
Leitura de teatro: Oscar Wilde
Conto gostoso de ler: as crónicas da Laurinda Alves
Não conseguiu terminar: Memorial do Convento (José Saramago)
Está na fila: todos os livros de Vergílio Ferreira
Livro que daria de presente: Cem anos de solidão (Gabriel García Marquéz) ou O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)
O que está lendo agora: Fantasias eróticas - segredos das mulheres portuguesas (Isabel Freire)

Tuesday, August 25, 2009

Reflexos da vida

Penso que esta imagem simboliza bem o que escrevi no post anterior. A vida dá-nos exactamente aquilo que pedimos, nem mais nem menos.

Evolução

Evoluir interiormente é difícil. Desde que cheguei de Israel, ando desconectada com o meu "eu interior". Deixei de cultivar os pensamentos positivos, de agradecer todas as manhãs por tudo de bom que me acontece e passei a vogar à deriva como sempre fiz.
Não senti necessidade de o fazer em terra judaica porque estava tão em paz comigo mesma, que a vida vinha até mim mansamente. Mas eis-me na terra onde nasci e como de costume, sinto a alma enjaulada e o corpo sem motivação. De vez em quando lembro-me de pôr em prática o que aprendi com o livro "O Segredo", mas abstraio-me facilmente e acabo por não chegar a lado nenhum.
E hoje, ao ler o blogue da actriz brasileira Lúcia Verissímo, percebi que está na altura de me voltar a equilibrar. Está na hora de ir buscar a luz para puder prosseguir o meu caminho, seja ele qual for.
Falta-me o encaixe. Aqueles feixes energéticos que nos indicam que estamos a caminhar no bom sentido, que nos fazem entender que tudo está bem e que a vida segue o seu curso. Foi nesta fase de luz e abertura que me aproximei do G. e ele de mim. E isto é apenas um exemplo de que os nossos pensamentos e as nossas vibrações, nos aproximam das metas e das pessoas.
Não sei se será correcto dizer que evoluir dói, mas eu realmente acho que dói. O crescimento pessoal traz consigo alguma dor, mas daquela suave e fácil de encarar. Essa dor mostra-nos como mudarmos de pele. Como alterar hábitos, gestos, palavras, olhares...somos energia, renovamo-nos a cada dia...
A Lúcia Verissímo colocou esta frase dita por Einstein no seu blogue:
"A vida não dá e nem empresta, não se comove e nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”.
Caramba! Depois de ler uma coisa destas, não há que como querer virar as costas a esta verdade contudente. A frase fez-me entender que tenho andado estagnada e que está na hora de fazer algumas alterações. Percebi também que tenho feito tudo errado e fiquei pasma comigo mesma por ter me esquecido de tanta coisa. Cheguei à conclusão que não sei nada. Que sou uma alma imberbe com sede de conhecimento. E que só puderei colher frutos depois de os semear. Mas tudo isto eu sabia e tudo isto esqueci.
Se quero amor, não posso estar fechada, de olhos fechados e atitude sempre defensiva. Tenho que deixar o amor entrar, escancarar o peito e acreditar. Acreditar sempre. E isto aplica-se a tantas outras coisas. A uma infinidade de possibilidades. Aliás, acho que a partir de agora, a minha palavra-chave será "possibilidade". A possibilidade de ir e vir. De amar e amar.
Consigo visualizar o tipo de mulher que pretendo ser daqui a 30 anos. Sei bem em que posição me quero colocar. Mas para isso, preciso fazer todo um trabalho mental de focalização e fé.
É a fé que me vai impedir de chorar e sofrer quando me sentir só e rejeitada. Terei de fazer da fé os meus alicerces, pois serão eles que me irão ajudar a suportar os embates da incredulidade, da desilusão, dos falhanços emocionais, dos desarranjos afectivos com que sou assolada ciclícamente.
Não. A maturidade não é fácil. A evolução é lenta mas primorosa. Desejo tornar-me um ser humano melhor. Não quero um espírito embrutecido, mal talhado pelo tempo.
Sinto-me vazia, não por estar sozinha ou longe do país que tanto amo. Sinto-me vazia porque perdi o meu eixo. E acredito que todos nós temos esse eixo. Uma espécie de bússola que nos direcciona. Mas para isso, precisamos estar atentos, conectados com a energia do universo.
Quero e preciso estar em sintonia com o universo e comigo mesma. Preciso voltar a sentir que tudo se encaixa. Que conduzo o meu espírito e o meu corpo para um riacho de águas livres e límpidas...

Monday, August 24, 2009

Perdoem-me o desabafo mas os homens são estúpidos como calhaus! E digo-o com tristeza no coração...

Wednesday, August 19, 2009

Muita parra e pouca uva

Ele: Ainda bem que vens este fim-de-semana. Se estivesses à minha frente dava-te um beijo.
Eu: Falas muito e não fazes nada!
Ele: .....

Monday, August 17, 2009

Sida

Há muito tempo que queria adicionar estas imagens francamente esclarecedoras aqui no blogue. A primeira vez que vi estas fotos fiquei de boca aberta. Mas no bom sentido. Pensei que os franceses (autores da campanha) ousaram q.b. e que souberam ir ao fundo da questão.
Há gente que ficou chocada, mas não foi o meu caso. Não dá para lidar com o assunto Sida levianamente. As campanhas precisam ter um cariz marcante e esclarecedor, porque é uma forma de abrir a cabeça às pessoas para o mal do século. Não dá para andarmos a brincar com a vida, por causa de algumas horas de prazer.
E mais não digo, porque as imagens falam por si.
Desliguei a ficha. Chega de neuroses. De tentar controlar o incontrolável. A partir de agora vou seguir apenas a corrente. As ondas vão encarregar-se de levar-me ao destino...

What matters most is how you see yourself


Tuesday, August 11, 2009

Expectativa versus confiança (duelo de titãs)

As expectativas fazem mal à alma. Á minha pelo menos. Os amigos perguntam: "estás mais calma?" e eu nem sei que resposta dar, porque não sei a que emoção posso ir buscar a resposta. Neste momento sei que estou anestesiada. Não sinto nada. Só esta expectativa que teima em morder-me os calcanhares. Que tento baixar a qualquer custo, mas sem sucesso.
Depois apercebo-me que afinal a expectativa não está sozinha. Vem de braço dado com a confiança que precisa de apoio. Eu sei que aqui bem no fundo, a minha atitude deveria residir na confiança. Mas sou fraca. Weak, como se diz em inglês. Terrivelmente weak. E por ser assim, desequilibro os pratos da minha balança. Percebo claramente que a expectativa tem mais poder que a confiança. Sei-o mas nada faço para alterar essa condição. Porquê? Porque insisto sempre nos mesmos erros. "São sempre os mesmos ossos que eu insisto em partir", como diria Jorge Palma.
Mas então...se sou capaz de identificar a falha na minha máquina emocional, devo ser capaz de mudar estas emoções repetitivas e estes gestos repetitivos. Será necessário acabar com este desgaste que me coloca em turbilhões desnecessários e extenuantes.
Estarei capaz de focalizar um quadro positivo, onde a confiança aniquila a expectativa. O vazio de ilusões construídas sobre pequenos grandes nadas.
Entrevejo um pouco desta confiança, porque abri-me momentâneamente e fico assombrada. Do outro lado da porta, a acompanhar a confiança, está a segurança, a tranquilidade, a realidade tal qual como é. Com o coração ligeiramente mais calmo e em ordem, ganho asas sem vontade de sair do chão. Entendo que ainda não é chegada a altura de voar. E que as asas apenas lá estão para que não me esqueça quem sou e para que servem.
Respiro fundo e preparo-me para ter a resposta na língua. Sim, agora estou mais calma. Mais calma. E centrada no que é de facto importante.

Decidi fazer como o estimado dono do blogue "Não asses mais carapaus fritos" (viste, desta vez acertei à primeira) e resolvi colocar aqui 20 coisas que já fiz na vida. Não sei a quem isto poderá interessar, mas sabem como é, apetece-me e ao fim e o cabo o blogue serve precisamente para mostrarmos o nosso lado narcisista. Digamos que será uma forma de purga. Ou então de arte, dependendo do ponto de vista, claro. A minha melhor amiga fez uma coisa do género no facebook e chocou umas quantas pessoas com as coisas que lá escreveu. Serviu como um grito de liberdade. De destapamento de todas aquelas coisas que estão à vista mas que ninguém ousa falar publicamente.
Bem, eu como estou muito longe de ser uma pessoa polémica, aqui vai:
1- já dormi bem acompanhada no topo de um monte em Sintra ao relento
2- uma vez apanhei uma bebedeira tão grande que adormeci com a cabeça no tampo da sanita, num bar
3- comi refeições estragadas várias vezes porque me obrigaram
4 - viajei de Lisboa às Caldas da Rainha para estar apenas uma noite com o meu xuxuco da época
5- tive um breve caso com um toxicodependente
6- fui ao concerto das minhas duas bandas favoritas: Radiohead e Pearl Jam
7- viajei para Israel
8 - fiz sexo sem amor
9 - subornei para ter o passaporte em um dia
10 - parti o coração a um gajo dez anos mais velho do que eu
11 - pus uma ex amiga de infância na rua. abri-lhe a porta de casa e tudo
12 - fui a casa de um interesse amoroso de propósito deixar-lhe castanha de caju, porque ele não conhecia, acompanhado de um recadinho romântico
13 - fiz o exame para a carta mas chumbei por não ter subornado o examinador
14 - fumei erva, haxixe e pólen
15 - dividi casa com dois gajos
16 - fui empregada interna na casa da família Espírito Santo
17 - deixei de ir à República Democrática do Congo a trabalho porque estava a ressacar
18 - flutuei no Mar Morto
19 - recusei meter ecstasy na massa cinzenta
20 - por causa do meu chefe de cozinha, meti uma patanisca de bacalhau no bolso acabadinha de fritar e queimei a perna
Quero falar-te dos meus sentimentos (sem me engasgar)...

Monday, August 10, 2009


Os homens são f*

Antes de viajar e para grande surpresa minha, ele ligou-me do aeroporto para me dizer: "ouve Clara, sei que te tenho dado imensos cortes, mas sabes como é a vida, muito trabalho e pouco tempo para conviver mas quando voltar de Lisboa, prometo que tudo vai mudar e que estaremos mais tempo juntos. Vou abrandar o meu ritmo porque a vida não é só trabalho". Limitei-me a dizer "tá-se bem e boa viagem". Entretanto ele ficou dois ou três meses na Lusitânia, eu fui para Israel e quando voltei o amigo dele contou-me que ele já cá estava. Disse-me: "ele esteve para ligar para ti, mas teve de se ausentar da cidade para fazer um trabalho". Suspirei e contei até quatrocentos e dez.
Dada a ausência de telefonemas, liguei para ele na semana passada. Atirei-lhe um "porra, és tramado. Nem sequer um telefonema?" Ele respondeu-me com silêncio e eu calada fiquei. Finalmente respondeu: "é a treta do costume, pá, imenso trabalho. Temos de combinar uma noitada nos copos." Diante daquela resposta, só me ocorreu uma frase: "a fila anda, depois não digas que não te avisei".
No sábado à noite ligou para mim. Quer que vá acompanhá-lo a uma viagem de trabalho. Coitado...nem sabe o sofrimento requintado que planeio infligir-lhe naqueles ossos magros!
Ele: Já estou a contar os dias para o teu regresso.
Ela: Eu também e até me dou ao luxo de riscar os dias no calendário.
Ele: Sei que vais andar na correria porque toda a gente vai querer ver-te, mas vais ter tempo para mim, não vais?
Ela: Sempre.
Ele: E as noites? Também teremos noites doidas, não teremos?
Ela: Bem, aí depende da tua definição de loucura.
Ele: Oh, tu sabes...
Ela: O quê? De irmos para o Queen´s ver striptease masculino?
Ele: Sim, sabes bem que és a unica que aceita ir comigo.
Ela: Sei é que sou a única que não se importa de te ver aos melos com outros gajos!

Thursday, August 6, 2009

Wednesday, August 5, 2009

Aviões

Ontem falava sobre o medo com uma amiga. E junto com o medo surgiu o tema: aviões. Então lembrei-me da experiência desagradável pela qual passei com a Ethiopian Airlines. A primeira vez aconteceu quando nos estávamos a preparar para aterrar no aeroporto da Etiópia. O comandante vinha com os "pés no acelerador" e a aterragem foi angustiante, porque ele pousou o avião em alta velocidade. Não se deu ao trabalho de reduzir. Então o aparelho sacudiu, o meu corpo sacudiu e pus-me em posição de protecção. O meu coração estava sobressaltado e a minha cabeça viajava a mil hora com pensamentos de morte e coisas do género. Quando o avião finalmente imobilizou-se, os passageiros bateram palmas. Menos eu que tremia como varas verdes.
O segundo susto veio com a mesma companhia (é a Etiópia que assegura a rota daquele país com Israel, penso eu) e com o mesmo comandante. Sei-o porque reconheci-lhe a voz e o mau inglês no altifalante.
Estava no voo de volta para Luanda. A viagem decorreu sem problemas e até dei-me ao luxo de dormir, embora viesse sentada na janela com a portinhola da dita cuja aberta porque as hospedeiras obrigavam-me a mantê-la assim. E mais uma vez, ao aterrar, o avião vinha com demasiada velocidade. Apesar do medo, vi pela famigerada janela, o asfalto do aeroporto de Luanda a vir contra nós como se de uma boca infernal gigante se tratasse, a uma velocidade absurda. Parecia que seríamos engolidos e levados sem piedade para o outro mundo. Juntei as pernas, encolhi-me, levei as mãos à cabeça e deixei tudo nas mãos do Universo. De repente e apesar da alta velocidade com que aterrámos, o avião reduz a velocidade e com ele os meus batimentos cardíacos.
E mais uma vez confirmei o meu medo de andar nesses aparelhos com asas.
Obs: segundo consta, a Ethiopian Airlines é a melhor companhia aérea do continente africano.
Nas andanças pela web, descobri um blogue americano que fala sobre relações inter-raciais. Gosto muito de ver casais mistos porque simbolizam aquilo que todo o ser humano deveria ter: tolerância e respeito pelo próximo.
Graças ao blogue aprendi meia dúzia de coisas em relação ao comportamento dos americanos diante de uma relação inter-racial. Pelo que entendi, os homens negros americanos não suportam ver mulheres negras com homens brancos. Por sua vez, as mulheres negras não suportam ver os "seus" homens negros com mulheres brancas. Bom, acho um disparate estar para aqui dizer "homem branco, homem negro, mulher branca, mulher negra", mas tem de ser para a coisa ficar clara. E depois existe o outro lado...o da não aceitação familiar de ambos os lados diante de uma relação do género.
Porque será que existe esta intolerância em relação aos casais mistos? Acho esta questão absolutamente ridícula! No meu ponto de vista, são apenas duas pessoas que se amam, dispostas a viverem juntas.
O tom de pele dos tipos por quem me apaixonei nunca foi factor de relevância para mim. Importa-me mais o coração, o carácter, a hombridade. Lembro-me de um lindo namorado que tive em Lisboa e de ligar à minha mãe que estava aqui em Luanda para dizer-lhe que estava a namorar e que andava feliz da vida. Do outro lado da linha ouvi a pergunta: "qual é a cor do teu namorado?" Respondi-lhe: "não sei, ainda não reparei".
Sou filha de pai mulato e mãe negra, no entanto não me guio pela cor da minha pele. Nunca o fiz. E nunca dei importância a comentários racistas - e olhem que sofri vários quando era criança. Também não me vitimizo ou escudo atrás de palavras racistas perante pessoas provenientes de outras culturas. Eu não sou apenas minha cor, nem nunca serei. Sou bem mais que isso.
Espero que cada vez mais haja mistura entre os povos. Talvez seja este o único caminho para o fim dos preconceitos e o início de uma humanidade una.

Eddie Vedder


Tuesday, August 4, 2009

O G. acaba de me dizer que vai ter a Lisboa para nos encontrarmos. Estou contente, mas com receio de sentir tal contentamento. O ser humano é um animal estranho...

Reflexões

Ás vezes acho que se o sexo oposto olhasse para mim com olhos de ver, deixaria de me fazer sofrer...

Friday, July 31, 2009


יש לי טוב לב אבל אנשים לא אכפת לי נראה ...

A minha próxima vida

"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente.Começar morto para despachar logo esse assunto.Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo..."

Woody Allen

Thursday, July 30, 2009

Um dia...


Dizem que um homem e uma mulher não podem ser amigos ou que não são amigos, porque eventualmente acabam por dormir juntos. Dizem também que às tantas um dos dois se sente atraído pelo outro. Não costumava aceitar nem acreditar nesta teoria. Mas à medida que vou envelhecendo e analisando episódios passados, comecei a perceber que se calhar é verdade.
No entanto, deixem-me dizer-vos que tenho alguns amigos homens com quem nunca dormi, nem espero dormir! E espero que se passe o mesmo pela cabeça deles. Portanto, acho perfeitamente possível uma mulher ser amiga de um homem. E acho bonito, diga-se.
Tenho um grande amigo e talvez ele seja o meu melhor amigo (do sexo oposto) e orgulho-me muito dessa amizade. Conhecemo-nos há muitos anos. Erámos adolescentes e acho que ele sabe quase tudo sobre mim. Sempre falámos muito um com o outro e as pessoas diziam que "onde estava um, estava o outro". Saíamos muitas vezes para a noite só nós os dois e bebíamos e conversávamos até ao amanhecer. Outras vezes ficavámos simplesmente sentados na escadas do centro comercial a olhar para o céu em silêncio.
Via-o como um irmão mais velho, embora ele tenha nascido dois anos depois de mim. Muito do que sei, aprendi com ele e tenho muito orgulho nisso. E sei também que sou uma pessoa melhor, porque um dia, alguém da administração da Escola Secundária da Rainha D. Leonor, decidiu colocar-nos na mesma turma...

Wednesday, July 29, 2009

Não posso fumar onde quero. Fumo pouco, mas imagino aqueles que fumam loucamente. No entanto, as restrições ao tabaco incomodam-me profundamente! E como se não bastasse não puder fumar nos meus bares do costume em Portugal, agora também Angola vai ter a mesma legislação.
Se os governos do mundo estão realmente preocupados com a saúde dos fumadores, então que acabem com a indústria tabaqueira. Mas não lhes convém, não é? Há demasiado dinheiro em jogo.
E Angola, em vez de se preocupar em implementar uma legislação anti-tabaco (pelo menos para já), que se preocupem primeiro com os buracos gigantes das estradas, com a miséria da maioria da população e com o sistema de saúde. E por favor, deixem-se de hipocrisias!

Aventuras

No aeroporto de Israel, no regresso para Angola, uma das zelosas funcionárias perguntava-me:
- De onde é? Quanto tempo esteve no país? Alguém ofereceu-lhe algum presente? Está a levar lama do Mar Morto?
Cai a ficha na minha cabeça. Israel sofre com os ataques palestinos e daí as perguntas. Era preciso cuidado, para o caso de eu me revelar uma viajante ingénua que levasse na mala um presente assassino, dentro de um avião com mais de duzentas pessoas. Respondi:
- Sim, trago lama.
Ela volta à carga:
- Ofereceram-na ou comprou?
Respondo com calma e segurança:
- Fui eu mesma que comprei numa loja de produtos do género.
A zelosa funcionária olha para mim e pede-me que vá para o balcão seguinte onde me abrem a mala. O funcionário de cabelos escuros vasculha-me a mala com ligeireza enquanto me pergunta:
- Leva consigo algum presente?
Suspiro e respondo:
- Não.
- Pode fechar a mala. Boa viagem.
Luto com a minha pequena mala vermelha. E pondero colocar-me em cima dela para a obrigar a fechar a boca de mil fechos. De repente a mala fecha-se, tranco-a com um cadeado (que acabará por ficar no aeroporto Ben Gurion após tira cinto, coloca cinto, tira sapato, põe sapato) e sigo para o check-in. Quando lá chego deparo-me com uma série de viajantes etíopes. Carregam tantas malas, que são precisas quase duas horas para me despachar. Amaldiçoo aquele povo de tez bonita e feições perfeitas e sigo em busca de um café com mesas.
Não posso fumar no recinto, por isso o café não me sabe ao do costume. Chegada a hora, embarco no avião da Ethiopian Airlines, onde o sabor da comida a bordo deixa muito a desejar. Vale-me a simpatia genuína das hospedeiras etíopes e a beleza calma de todas elas que me obriga a questionar a minha própria.
Assim que coloco os pés no aeroporto da Etiópia, interpelo um segurança e pergunto-lhe sem delongas pela ala dos fumadores. Aponta para o fundo do aeroporto e dirijo-me até lá a passos largos. Antes de entrar para a pequena sala, observo as pessoas lá dentro e espanto-me com o fumo denso que pairava no ar. Pareciam-me criminosos, ofegantes por mais uma passa. A que ponto os governos nos obrigaram a chegar. Não acabam com a indústria tabaqueira, mas empurram os fumadores para os corredores da marginalidade. Suspiro e entro lá dentro de tabaqueira em punho. Peço um café e acendo o cigarro. Eu e a minha colega somos as únicas mulheres dentro do covil. Fumei com prazer e preparei-me para mais oito horas de viagem.
Quando chego a Luanda, venho triste. Sem vontade de entrar na estupidez da rotina. Mas ao chegar à sala de controlo da emigração, arregalo os olhos e pergunto-me se cheguei ao país certo. O aeroporto estava remodelado. Mas ainda não tinha visto nada. A sala das bagagens também estava nova em folha e tinham instalado o ar-condicionado. Apesar das novidades, fiquei mais de uma hora à espera da minha pequena mala vermelha (porque há coisas que nunca mudam). Estava esgotada depois de tantas horas de viagem e ainda trazia em mim o cheiro a Israel.
Chego a casa e a família criva-me de perguntas. Mas a energia estava a zeros e resolvi deitar-me. Só acordei no dia seguinte depois de dozes horas non-stop de sono.

A minha liberdade

Gosto muito de liberdade. Especialmente da minha liberdade. Não gosto que interfiram com ela, nem mesmo a minha família. Não suporto que me obriguem a fazer o que não quero. Sou um ser humano. Uma mulher. Tenho vontade própria. Pensamento próprio. Não sou uma máquina artificial. Aqui dentro bate um coração.
Gosto de acordar à hora que quero. De me deitar quando quero. Gosto de estar com quem quero. Quando quero. E como quero. Não gosto de regras. E detesto quando me fazem seguir o rebanho. Excita-me a ideia de saber que posso partir quando quiser. Mesmo que essa ideia esteja condicionada pela actual crise económica.
A minha liberdade é minha. Só minha. Não a subtraio por ninguém, nem a partilho com ninguém.
O bilhete para Lisboa já cá canta!

Tuesday, July 28, 2009


Não sei como será. Como será quando o vir. Olho para o calendário e percebo que falta muito para o reencontro. No entanto as horas voam diante de mim, como folhas de árvores sacudidas pelo vento. Falamos com frequência e sei que ele espera por mim lá. Lá onde mora, tão longe de mim. Do meu coração. Ás vezes fico fora de mim e pergunto-me o que lá vou fazer. Mas eu sei porque vou. E sei que ele também sabe. Queremos ver se é de verdade...

Aeroportos

Há qualquer coisa nos aeroportos que me deixa alegre. Gosto daquele movimento frenético. De ver os aviões chegarem e partirem. Apraz-me vê-los lotados de gente vinda de quase todos os cantos do mundo.
Para mim os aeroportos significam liberdade. A liberdade de ir e vir. De estar hoje aqui e amanhã em Londres. Sento-me muitas vezes a observar os outros. A imaginar de que país serão ou que espécie de vida terão nos seus países de origem. Se são felizes ou se têm o coração negro como a noite.
Apesar de detestar andar de avião, gosto de saber que é este aparelho que me leva para longe do stress cinzento desta cidade. É o avião que me conduz de volta para mim mesma.
Ainda faltam dois meses para a minha segunda e qui ça ultima viagem do ano, mas aguardo por ela com borboletas na barriga. Aguardo como se fosse uma adolescente à espera do namorado. Conto os dias embora os saiba distantes. Estou aqui. Mas também estou lá à frente. Sentada na sala de embarque do aeroporto de Luanda.

Wednesday, July 22, 2009

Meme



A queridissíma Bela do blogue Reflexo desafiou-me para um meme. Como seria indelicado da minha parte recusar, eis-me:
5 desejos:
- saúde
- regresso do G.
- casar
- mudar de país
- chegar aos 99 anos
5 características minhas:
- teimosa
- gulosa
- inteligente
- curiosa
-alegre




Tuesday, July 21, 2009

Hoje tive um sonho. Sonhei com ele. Veio a Angola com a sua equipa de futebol. Vi o jogo pela televisão. Ele veio e foi-se embora no mesmo dia. Fui a correr ter com ele ao aeroporto antes do embarque. O aeroporto estava lotado. Tive de lutar para chegar até ele. Ao ver-me sorriu. Desculpou-se com o olhar e disse: "Clara, não tive tempo para nada". Percebi que falava a verdade mas mantive a distância. Pairava no ar a vontade nos tocarmos e arrepiarmos, mas ficámos a centímetros de distância.
E então, num piscar de olhos, ele foi levado pela turba de gente. E eu fiquei ali. Sozinha. Á espera de nós os dois...

Friday, July 17, 2009

Bom fim de semana (paz para todos)

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"

A Paz / Gilberto Gil
http://www.youtube.com/watch?v=0Tkz8q3Fqc8&feature=related

Infinito.Finito.Infinito.


Thursday, July 16, 2009

Israel

Depois de 20 dias maravilhosos a encher-me de cultura e conhecimentos profissionais, volto ao caos da cidade de Luanda, onde a poeira do asfalto e dos dias me traz horas cinzentas e pontos de interrogações.
Mas não me vou focar no regresso e sim em tudo o que vivi. Israel é um sonho histórico e biblíco! Tudo o que sabia do país tinha-me sido transmitido pela televisão e depois de lá ter estado, percebi que a pequena caixinha de informação não faz jus a um décimo do que é verdadeiramente Israel. Fui bem acolhida, tanto pelos professores e coordenadores, como pelos próprios habitantes. Bastava-nos dizer "shalom" - paz - para olharem para nós com um sorriso e retribuirem-nos a saudação. O Médio Oriente é um fenómeno à parte. É um sonho nunca antes sonhado, tranformado em realidade. É uma cultura absolutamente nova, são hábitos estranhamente reconfortantes mas amplamente distantes...
Israel é um país moderno, cosmopolita e quente. Situado num lugar estratégico, Israel é terra de judeus e árabes. Habitam num mesmo espaço, mas separados por diferentes concepções e modos de entender o mundo. Não se dão. Não se misturam. E no entanto partilham a mesma casa. São povos irmãos, eu diria, mas falam linguagens e línguas diferentes.
Estive na fronteira com a Jordânia e por qualquer motivo, fiquei emocionada. Nunca me senti atraída pelo reino do falecido rei Hussein mas assim que me vi ali, o coração quase me saltou do peito.
Ali estava eu, dentro do livro de História. A calcorrear as ruas por onde andaram as personagens bíblicas. Foi uma experiência maravilhosa. Cresci como ser humano e mulher. E a minha bagagem cultural, tornou-se mais pesada.
Obrigada universo pela oportunidade...
Shalom!

Wednesday, July 15, 2009

Estou de volta à realidade. Não está a ser fácil...

Tuesday, June 30, 2009

Ainda em Israel...

Sinto tanta paz...há anos que desconhecia o sossego. Este tipo de sossego que me invade o coração...estou bem.

Thursday, June 18, 2009

עד שיום אחד, עמי

Vou estar off durante 20 dias. Amanhã embarco para Israel. Vou em formação. Durante a semana estuda-se e aos fins-de-semana passeia-se pelas Colinas de Golan, pelo Mar Morto e por Jerusalém. Por estas e por outras é que deixei de me queixar da vida...

Monday, June 15, 2009

Meu amor, tu cabes dentro de mim...


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa

Thursday, June 11, 2009

Histórias de arrepiar

Na semana passada viajei até ao Waco Cungo a trabalho. É nesta província que está localizado o "lado prático" da companhia onde trabalho. Fui lá recolher informações e falar com algumas pessoas. Tive a sorte de falar com uma colega que faz parte da área social. É uma mulher dinâmica, inteligente, sensível, guerreira e com imensa experiência de vida. Além disso, nota-se que gosta do que faz, porque vive e sofre com a vida das mulheres que ela acompanha diariamente.
O meu trabalho com ela era muito específico, mas à medida que íamos falando, percebi que esta mulher tinha histórias interessantes para partilhar e às tantas decidi alterar o rumo da entrevista e focar-me no trabalho que ela desenvolve ali no Waco.
O trabalho que Glória leva a cabo, envolve unicamente mulheres e crianças. O desempenho das suas funções tem-lhe trazido alegrias, tristezas, frustrações e vitórias. Glória contou-me histórias de arrepiar, como a da mulher que ficou com o rosto amassado depois que o marido, estupidificado pelo vinho, arrastou-a pelos pés e rodou com ela num monte de brita.
Ou da rapariga incapaz de sorrir que todos os dias ia ter com Glória para deixarem-na ir embora da comunidade. Dizia que ou deixavam-na partir ou suicidava-se. Glória perguntava à rapariga porque desejava tanto ir-se embora e se o marido a tratava mal. A rapariga incapaz de sorrir, dizia que estava cansada do Waco e que o marido a tratava bem. Glória não teve outra solução, senão deixá-la partir. A rapariga foi-se embora e o marido sorridente e cheio de si, ficou.
Glória não consegue até hoje, aceitar a partida da rapariga que não consegue sorrir. Mas Glória está apenas à espera de uma oportunidade, que há-de aparecer e quando isso acontecer, vai expulsar o marido ameaçador, daquela comunidade.
A ultima história que ouvi era recente. Um dos homens da comunidade morreu. Não se sabe de quê. Sabe-se apenas que expelia sangue da boca e que morreu no hospital, depois de quase ter partido para a outra vida, sozinho, em casa. A mulher ficou desvairada e com vários filhos nos braços. Os parentes chegaram vindos de longe e trataram de surripiar os bens do casal, antes mesmo do homem ter falecido. Chegaram escudados pela ignorância e ambição a que chamam de tradição e sem meias medidas levaram a televisão, a roupa, os documentos, o cartão do banco do homem, o dinheiro e outras coisas mais.
Glória soube e sem contemplações obrigou-os a devolver tudo, senão chamava a polícia e o assunto resolvia-se atrás das grades. Os familiares insistiam na tradição e Glória insistia na polícia. Tentava proteger a mulher e os filhos do finado, que por pertencerem à nossa empresa, tinham um escudo bem mais forte do que a dita tradição. Os familiares devolveram os pertences e voltaram para o buraco de onde saíram.
E enquanto se desenrolavam estes episódios, a viúva continuava desvairada e era obrigada a cumprir uma outra tradição: a de dormir abraçada e com os lábios colados à boca do marido morto...
Sinto vontade de mudar. De virar-me do avesso, abrir a barriga ao meio e retirar as tripas que me envenenam lentamente. Quero mudar o formato do rosto, dos olhos e colocar novas orelhas. Apetece-me mudar para um país onde nunca estive. E chegar lá de alma lavada, com o coração pintado de roxo, pois é essa a cor da minha saudade.
Sinto vontade de mudar antigas concepções e substituí-las por novas e estranhas ideias. Preciso atirar estas correntes que me prendem os pés para a boca de um qualquer crocodilo. E banhar-me nua num rio de águas verdes, até me libertar do sal que me provoca bolhas na pele.
Quero mudar de vida. E gritar. Mas não consigo soltar nenhuma espécie de som. E é este silêncio... e este compasso de espera que me enlouquecem. Que me soterram os ossos...

Sabes que é ele porque juntos fazem sentido. Sabes que é ele porque consegues ser tu própria. Sabes que é ele porque ris sem parar e ele sorri satisfeito, diante dos teus dentes brancos. Tu sabes. Sempre soubeste e ele também sabe. A unica coisa que não sabem, é onde tudo isto vai parar. Não sabem como será quando se encontrarem...
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

Wednesday, June 10, 2009

Gosto muito de ir ao cinema. Mas não sei se gosto de ir ao teatro. Calma. Acho a ida ao teatro deveras interessante mas na maioria das vezes ou quase sempre, saio com um grande ponto de interrogação na cabeça. Não sei se é ignorância da minha parte ou se simplesmente tenho a mente fechada demais para absorver os conteúdos das peças teatrais. É verdade, nunca fui a muitas, mas a todas as que fui, saí mais ignorante do que entrei. Talvez tenha visto as peças erradas ou talvez não seja simplesmente fadada para tais manifestações culturais.
O acidente do airbus pertencente à Air France, deixou-me desolada e bastante inquieta. Todas as quedas de aviões que ocorrem por este mundo fora perturbam-me, mas a deste avião em particular perturbou-me mais que todas as outras histórias de que tenho memória. Não sei se é porque me preparo para viajar em breve ou se por saber que o destino do aparelho era Paris. É claro que o facto de tantas pessoas terem perdido a vida desta maneira também me afecta e só de imaginar o sofrimento e os segundos finais de toda aquela gente, fico profundamente angustiada. Também não fico indiferente às circunstâncias em que a tragédia ocorreu: do aparelho ter caído em pleno Atlântico, do piloto não ter tido tempo de enviar mais sinais de ajuda e dos corpos e destroços terem demorado tanto tempo para aparecer.
Desejo apenas que a aeronaútica mundial se aperfeiçoe cada vez mais. Que os responsáveis pela manutenção dos aviões façam o seu trabalho com responsabilidade e perfeição. E que pilotos, funcionários e passageiros das companhias aéreas não tenham mais de morrer em circunstâncias tão hororrosas como esta.

O meu blogue não é disto, mas eu hoje mereço

E não me perguntem porquê...

Monday, June 8, 2009

Em dias como os de hoje, dói-me qualquer coisa cá dentro. Dói porque sinto-me entupida de amor e histórias para partilhar, mas não tenho com quem o fazer. Ele está longe..longe...longe...

Tuesday, June 2, 2009

O amigo Toxico, do blogue "Não asses mais carapaus fritos", lançou-me o desafio (preferível a meme) para escrever as minhas 20 séries preferidas, antigas e actuais. Se há coisa que gosto é de ver séries, por isso aceito o desafio e cá vai..
Antigas:
- Ficheiros Secretos (The X-files)
- Macgyver
- O Justiceiro
- Ally Mcbeal
- Life goes on
- Beverly Hills 90210
- Dawson´s Creek
- Remington Steel
- A balada de Hill Street
- Modelo e detective
Actuais:
- Anatomia de Grey
- CSI Las Vegas
- E.R. serviço de urgência
- Donas de casa desesperadas
- Huff
- The Simpsons
- Boston Legal
- Mentes Criminosas
- Clínica Privada
- CSI NY
O desafio segue para todos os que lêem este blogue!

Boa semana de trabalho


Saturday, May 30, 2009

Suzanne takes you down
To her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she´s half crazy
But that´s why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China
And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she let´s the river answer
That you´ve always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you´ve touched her perfect body
With your mind
Suzanne / Leonard Cohen

Tuesday, May 26, 2009

"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa."

Fernando Pessoa

Friday, May 22, 2009


Eu andava nas nuvens. Mas estava mesmo no alto. Obrigaram-me a descer à terra. Como se uma mão gigante e de ferro, me tivesse agarrado e trazido bruscamente para chão firme. Entendo agora que não foram as palavras que me fizeram entrar em parafuso. Foi o regresso à realidade...foi o percurso entre o ar e a terra que me deixou com lascas de mil tamanhos.

Thursday, May 21, 2009

Para ti

Coisas pequenas são
Coisas pequenas
São tudo o que eu te quero dar
E estas palavras são
Coisas pequenas
Que dizem que eu te quero amar

Amar, amar, amar
Só vale a pena
Se tu quiseres confirmar
Que um grande amor não é
Coisa pequena
Que nada é maior que amar

E a hora
Que te espreita
É só tua
Decerto, não será
Só a que resta
A hora que esperei a vida toda, é esta

E a hora
Que te espreita
É derradeira
Decerto já bateu
Á tua porta
A hora que esperaste a vida inteira
É agora

Coisas pequenas / Madredeus

http://www.youtube.com/watch?v=B14_vcUbgkg
O meu estado de espírito amainou. Estou bem. Fazer a reserva e marcar a data da minha viagem para Lisboa, deixou-me nas nuvens. Agora só me resta manter este estado de espírito.
Estou perfeitamente conformada e disposta a ouvir seja lá o que tiver de ouvir. Os pensamentos negativos tomaram outro rumo e as rugas que tinha na testa desapareceram como por magia!

Wednesday, May 20, 2009

Para a Bela (do blog Reflexos)

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

O Primeiro dia / Sérgio Godinho

Tuesday, May 19, 2009

Se levamos uma rasteira da vida, temos duas opções: ou vemos a vida como uma sucessão de acontecimentos e culpamos esses mesmos acontecimentos e eventualmente as pessoas responsáveis por eles, ou acreditamos que tudo acontece por uma razão. Pensamos, "se a porta se fechou é porque tinha de ser". É porque não era este o momento.
Depois de me ter afundado na primeira opção, decidi agarrar-me à fé e optar por pensar que nesta vida, tudo acontece por uma razão...quer doa ou não.

Monday, May 18, 2009

Em Angola as coisas são assim...

Na subida para o largo da Maianga e preso no trânsito infernal da cidade, ia um "candongueiro" vulgo táxi (Hiaces que transportam 9 pessoas ou mais), quando o condutor do dito táxi começou a esbravejar com um segurança que se fazia transportar numa carrinha com mais uns quantos colegas. O segurança ia armado com uma espécie de metralhadora e não se deixou ficar. A conversa azedou. Cada um insultava o outro até que sem mais nem menos, o filho da puta do segurança, puxa da metralhadora e aponta para o motorista do táxi. Os passageiros ficaram com o coração na boca e acto instintivo, toda a gente se baixou. A fila começou a andar e a conversa morreu. Os passageiros decidiram desataram a refilar com o motorista: "porque não pode ser, ele tem arma, tens de ficar calado, há aqui crianças e queremos sair". O motorista enervou-se com os passageiros e disse que tinha razão em reclamar pois que o segurança tinha sido mal-educado. As portas abriram-se e a maioria dos passageiros abandonou a viatura. Preferiram fazer o resto do caminho a pé.
Eu fiquei lá dentro, sabe lá Deus porquê. Mas foi só até ter percebido que motorista e segurança voltaram à discussão e que a coisa poderia ficar sangrenta. Isto já aconteceu há dois meses e ainda hoje fico pasma e gela-me o sangue quando me recordo.
É por esta e por outras que detesto morar aqui!
I am breathing...still breathing...
No famoso livro "O segredo" aprende-se (na verdade apreende-se...as verdades que lá estão não são novas) que o ideal é estarmos sempre com as emoções equilibradas e sintonizadas com o aspecto positivo da vida. Desejos e pensamentos negativos não combinam.
Tenho estado a viver um turbilhão emocional bastante desagradável. Umas vezes estou triste, outras com raiva e outras sinto-me alegre. Infelizmente, a raiva tem-me dominado e ando sem paciência para as pessoas.
Lancei um desejo ao universo e enquanto estiver a ser dominada pela instabilidade emocional, as coisas não vão correr bem. Então, ando a fazer um esforço tremendo para estar positiva. Para não me esquecer de agradecer ao universo pelas coisas boas que tenho e que me rodeiam. E acima de tudo, para não me esquecer de estar com a mente e o coração abertos. Só assim puderei receber o que de bom a vida tem para me dar.
E por incrível que pareça, qualquer dia este blogue vira um diário...espero bem que não...

Friday, May 15, 2009

Deixem-me estar...


Ontem o meu coração estava tão, mas tão desalinhado, que senti necessidade de fazer jogging (há muito que não o fazia). Corri até me faltar o ar. Até os pulmões arderem-me no peito. Até encharcar o cabelo e a roupa.
Corri até esvaziar a cabeça. Até deixar de ouvir os gritos mudos do meu coração. Corri. Corri. E corri. Para fugir de mim mesma. Da frustração que me assolava como uma nuvem negra. Valeu a pena. Conformei-me. E declarei-me...

Thursday, May 14, 2009

Desassombro

Caminhaste pelo deserto durante anos e nem sabias que era lá que estavas. De vez em quando avistavas oásis rodeados por palmeiras e riachos de água tépida. O sol queimava-te a pele e nem davas por isso. Tinhas a alma em carne viva e estavas imune à dor. A ferida por fechar dentro do peito tardava a cicatrizar e era nela que te concentravas. Á noite procuravas o sentido da vida e não atendias o telefone. Chamavam-te para dançar e conversar mas escapulias-te para dentro de ti. O contacto com o exterior feria-te e andaste assim muitos anos. Anos de alienação. Dias e horas a navegar no lodo de águas bolorentas e estagnadas.
E um dia a luz entrou. Não sabes bem por onde, mas a luz entrou. Deste por terminada essa longa caminhada pelo deserto e afastaste os pássaros negros com quem fizeste amizade. Foste atrás da luz, porque achaste que a luz tinha vindo à tua procura. Perseguiste-a e tentaste torná-la tua. Como se a pudesses armazenar numa caixa de madeira. Reteste uma réstia de luz e engoliste-a. E sem dares por isso, a magia da vida renovava-se diante dos teus olhos. Caminhaste de mãos dadas com a luz. Tornaram-se parceiras, confidentes durante a hora da sombra. E voltaste a rir e a acreditar.
Mas a luz parece estar a apagar-se e não sabes como alimentar a chama. Corres atrás do que resta. Corres até os ossos darem de si. Até deixares de respirar. Não queres voltar para o deserto. Preferes manter a fé, mesmo que a fé te escorra pelos dedos. E assim estirada, cansada de luzes que não se mantêm na tua vida, olhas para trás. É com desassombro que te sentes tentada a embarcar na escuridão. Optas pelo limbo. E ficas em silêncio porque não sabes o que fazer...

Saquei esta foto de um blog (sem permissão, diga-se) e achei-a bastante elucidativa. Não tenho religião, até porque me considero uma criatura de pensamento livre e logo, não me prendo a conceitos religiosos. Acredito no ser humano e em forças invisíveis e vísiveis que coabitam lado a lado dentro de nós. Acredito em forças exteriores que nos empurram em determinada direcção. Não acredito em Deus, Buda, Jeová, Jah ou qualquer outra entidade criada pelo ser humano. Somos seres da natureza, criados pela natureza...o que existe para lá da fronteira de nós mesmos, ninguém saberá ao certo. Teremos as nossas respostas em vida ou apenas depois da morte? Não sei...

Bom, alonguei-me no texto. Quero apenas dizer que a igreja católica precisa rever os seus conceitos. Chegámos ao século 21 e exigem-se remodelações dentro do Vaticano. A igreja não pode continuar a condenar o uso do preservativo ou o aborto. Somos acima de tudo seres individuais e supostamente conscientes das nossas limitações. Apenas nós mesmos, saberemos o que queremos ou não fazer. E "obrigar" uma família de poucos recursos a mandar vir um sem número de filhos, é cruel. Obrigar uma criança de nove anos, a dar à luz um bebé fruto de uma violação é desumano...então eis a foto. Pode ser que esta imagem seja uma previsão...
"I could be your friend
I could be your stranger
I could be the one your mother said would be a danger
Now it´s up to you"

Jay Jay Johanson

Wednesday, May 13, 2009


Recebi este texto em forma de email de uma amiga muito querida. Espero que gostem. Tenham ou tentem ter, um dia muito feliz.


Pensa em cada um dos pontos antes de passares para o número seguinte:


AS COISAS BOAS DA VIDA:


1.Apaixonar-se.

2. Rir tanto até que as faces doam.

3. Um chuveiro quente num Inverno frio.

4. Um supermercado sem filas nas caixas.

5. Um olhar especial.

6. Receber correio (pode ser electrónico.....)

7. Conduzir numa estrada linda.

8. Ouvir a nossa música preferida no rádio.

9. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.

10. Toalhas quentes acabadas de serem engomadas...

11. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.

12. Batido de chocolate (baunilha ou morango).

13. Uma chamada de longa distância.

14. Um banho de espuma.

15. Rir baixinho.

16. Uma boa conversa.

17. A praia.

18. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último Inverno.

19. Rir-se de si mesmo.

20. Chamadas à meia-noite que duram horas.

21. Correr entre os jactos de água de um aspersor.

22. Rir por nenhuma razão especial.

23. Alguém que te diz que és o máximo.

24. Rir de uma anedota que vem à memória.

25. Amigos.

26. Ouvir acidentalmente alguém dizer bem de nós.

27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.

28. O primeiro beijo (ou mesmo o primeiro com novo parceiro).

29. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.

30. Brincar com um cachorrinho.

31. Haver alguém a mexer-te no cabelo.

32. Belos sonhos.

33. Chocolate quente.

34. Fazer-se à estrada com os amigos.

35. Balancear-se num balancé.

36. Embrulhar presentes sob a árvore de Natal comendo chocolates e bebendo a bebida favorita.

37. Letra de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentirmosestúpidos.

38. Ir a um bom concerto.

39. Trocar um olhar com um belo/a desconhecido/a.

40. Ganhar um jogo renhido.

41. Fazer bolachas de chocolate.

42. Receber de amigos biscoitos feitos em casa.

43. Passar tempo com amigos íntimos.

44. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.

45. Andar de mão dada com quem gostamos.

46. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas ( boas ou más) nunca mudam.

47. Patinar sem cair.

48. Observar o contentamento de alguem que está a abrir um presente que lhe ofereceste.

49. Ver o nascer do sol.

50. Levantar-se da cama todas as manhãs e agradecer outro belo dia.

51. E ver a tua cara a ler esta mensagem.

Tuesday, May 12, 2009

Nada de jeito para escrever no blog. A minha cabeça está totalmente virada para as férias em Portugal (Setembro), na minha passagem por França, pelo coração em desalinho e no contentamento pelo espaço Schengen...

Wednesday, May 6, 2009

São as pontes que não chegam ao fim. Os aviões que aterram trazendo esperanças ou talvez não. São os rios que correm em sentido inverso. É o céu pintado com as cores do entardecer e os carros formigueiros em piloto automático rumo a casa. São os barcos lotados que rasgam os mares até ancorarem em portos fantasmas. É a chuva anormal que cai sobre corpos trémulos de paixão e ansiosos por mantas de retalhos. São estas pontes que trazem a distância. A distância que separa as almas em busca de si mesmas. E no final do dia nada se transforma, pois que as horas deixaram de seguir o seu curso....

Tuesday, May 5, 2009

O primeiro dia

A príncipio é simples anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no burburinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se e come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Sérgio Godinho

Prémio para um blog que vale a pena ler



A Sílvia atribiu-me este prémio e claro, estou muito honrada e só tenho a agradecer.
Portanto, como é da praxe, passo o testemunho à Bela, ao Luciano, ao Emerson e já agora ao Bruno Nogueira (na hipótese hiper remota) dele ler o meu blog.

Saturday, May 2, 2009

I am mine

"I know i was born and that i will die. But in between there is me. I am mine!"

Pearl Jam

Thursday, April 23, 2009

Que venhas...


Ele: O táxista que enviei para ter ir buscar a casa, portou-se bem?
Ela: Oh sim! Viemos a conversar o caminho todo até aqui.
Ele: Se quiseres, deixo-te sozinha com ele.
Ela: ....
Ontem assisti na RTP África, a trechos da entrevista realizada ao primeiro-ministro português, José Sócrates. Os jornalistas escolhidos foram a Judite de Sousa e o José Alberto Carvalho. Quanto mais via a entrevista, mais me convencia que estava a assistir a uma série policial, em que um polícia faz de bom e o outro de mau. Neste caso o José Alberto era o bonzinho e a Judite a má. Não tinha nada contra a Judite de Sousa até ontem à noite. Tudo bem que gosto do Sócrates, mas percebi claramente que ela não suporta o homem e isso estava explícito na atitude, na forma como posicionava o corpo e o modo desafiador com que olhava para ele. A obrigação dela era ser imparcial e não fazer daquela entrevista um circo de mau gosto. De vez em quando o José A. Carvalho punha água na fervura, falando com o primeiro-ministro num tom mais neutro, mas digo, foi uma coisa terrível de se ver.
Tudo bem que o homem está a ser acusado de corrupção no caso Freeport. Que mentiu ou omitiu sobre a sua formação académica, mas não era preciso tratá-lo assim. Houve uma altura em que pensei que o Sócrates se ia levantar da cadeira e pôr-se a milhas...ainda bem que não o fez.
Gosto dele, ainda que a maioria dos portugueses não o suporte.
Diz-lhe ela com um sorriso matreiro, enquanto parte mecânicamente o croissant que tem à frente:
- Então se um dia te for visitar, vais ser um bom guia turístico?
Ele termina de bebericar o café, poisa a chávena e responde:
- Claro, e se queres saber, a última vez que fui guia turístico de uma mulher, ela tornou-se minha namorada...